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As minhas neuras!

...neuras, desabafos, coisas sem nenhum interesse, palavras soltas, cenas assim. Estranhas. Ou não.

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16.04.20

Cá fora, no caos (des)controlado da Pandemia

Continuo a trabalhar. Como sempre fiz, em 15 anos, na mesma empresa, com as pessoas de sempre. Fizemos o Plano de contingência e implementámos as medidas preventivas da Covid-19 logo no início de Março. Nunca imaginámos que chegariamos a este ponto. Até eu, era uma das que dizia que era uma gripe. Acreditava piamente que isto ia passar, como passou a H1N1. Mas não. Assumo que estava redondamente enganada e julgo que não fui caso único.

As escolas fecharam. As visitas aos Lares foram proibidas. Aí percebi que afinal a coisa ia mesmo dar-se para mal. Foi aí, no sofá a ouvir o Primeiro-ministro, que entendi a real perigosidade deste coronavírus. Mantive-me calma, até porque não tinha outra opção.

Continuei a vir trabalhar, como sempre, porque é a área alimentar. Cá dentro, o medo dos meus colegas menos informados ganhava proporção mas tentei, sempre!, acalmar o pânico e o medo natural. Tive de gerir dias mais complicados, em que vinham ter comigo com perguntas e receios normais, e eu sempre com resposta (tentava) esclarecedora e correta para com todos. Houve dias em que fechava a porta do meu local de trabalho e respirava fundo. Porque o que lhes dizia não transmitia o medo que eu também sentia. Não encarei isto com leveza, antes pelo contrário, mas aquela frase mais que usada "vai correr tudo bem" ganhava outro sentido e era a ela que recorri em muitas conversas. Julgo que tinha uma obrigação perante eles de os acalmar, informar, colar informação fidedigna na parede da sala de convívio (do site da DGS) atualizada. Mas no fundo tinha os mesmos medos do que eles. Ninguém estava indiferente ao que estava (está) a acontecer. Foi um teste mental a mim mesma. Depois chegou a Pandemia. A necessidade de cortar acessos para o interior da empresa a quem era estranho à nossa normalidade. 
Depois foi o chegar a casa, toda a rotina de desinfeção de maçanetas, interruptores e botões. Descalçar à entrada de casa. Quase ir de cuecas para o duche, com a roupa a ficar na garangem, junto à máquina de lavar. E ter o meu filho à espera, todos os dias, mas com a valentia que lhe ensinei e que aprendemos (que remédio). 
A caminho de casa-trabalho passo por menos carros. As ruas ficaram vazias. As pessoas mais estranhas. A tosse alheia é encarada como um perigo eminente, obviamente. Vemos negligência. Vimos ruas cheias de passeadores. Dissemos palavrões ao ver certas notícias. Fazem bolos e  pão em casa. Esgotaram o fermento de padeiro. Inventam-se hobbies. Oh, nem imaginam a quantidade de vezes que eu invejei quem pode ficar em casa... 
O 3º período começou, online. Em plataformas diversas, a ver se isto segue com a normalidade possível. 

Estou cansada. Mentalmente cansada. Parece um pesadelo. Cuidar nos meus. ♥ Tenho tantas saudades dos meus... Tenho primos enfermeiros, na boca da Covid-19, a quem digo que são os meus heróis! 

Mas a mitigação está cá. Chegou para ficar ao longo das semanas que todos nós o permitirmos. 

Como ontem li, temos de encarar esta fase de mitigação como sendo TODOS portadores do vírus. Todos. Ninguém, neste momento, pode afirmar que não é portador do vírus. Podemos ser assintomáticos, podemos ter apenas os sintomas leves, tão leves que nem o benuron precisamos de tomar.
Lavar as mãos, desinfetar, usar máscara em locais públicos, manter a distância de segurança. Ponto. Até ao fim. 
A ver se o Rodrigo Guedes de Carvalho uma noite destas nos dirá: O País e o Mundo, pode respirar de alívio. 

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